Friday, August 19, 2005

A Boda

A Boda

O paradoxo que é o amor resume-se ao facto , de o amor ser inexplicável e profundamente efémero.
Porque se hoje amamos, amanhã poderemos não amar; se hoje desejamos amanhã, poderemos não desejar. A consumação do próprio acto de amar ,seja na forma de casamento ,ou relação continuada, apaga a chama.
O que era fantástico, passa a ser vulgar. A rotina dos relacionamentos sufoca-os ,e oprime-nos o ser. Nós ,os intervenientes na dita boda sentimo-nos extasiados com a plenitude , a magnificiência do pormenor mas que ,com a consumação do acto ,se torna fastidioso e rotineiro.
Só o não consumado ,se torna atraente e pleno de encanto ,porque não é conhecido ,e , jamais será, o não consumado é eterno ,pleno de magia ,paixão e aventura. O não vivido, torna-se eterno pela simples razão de ausência de tempo ,a eternidade é sinónimo de paixão ,a paixão será eternamente vivida ,porque não consumada.
O amor não vivido torna-se mítico, qual elegia aos deuses.
Torna-nos eternos ,omnipresentes e omniscientes da presença do divino em nós.


Teresinha Salgado

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